Pirilampo 3
Cris Lisboa com a palavra: A frase que acabas de ler é do jornalista inglês excessivamente londrino G. K. Chesterton, que entre muitas coisas escreveu os contos que inspiraram a criação de Sherlock Holmes. Coloquei ela no insta da escola hoje. Porque dentro de cada palavra tem entrelinhas. Segue o fio.
Hoje é dia da Rainha e Padroeira do Brasil e também das crianças.
Nossa Senhora Aparecida tem este nome porque em 1717 foi encontrada por pescadores nas águas de um rio. Sendo que um deles se chamava, jamais por acaso, Domingos. A imagem de terracota estava quebrada em dois pedaços, corpo e cabeça. E quando eles encaixaram um pedaço no outro, as redes voltaram com peixes.
Porque havia chegado a mãe de toda gente brasileira.
Já o Dia das Crianças começou a existir no 3o Congresso Sul-Americano da Criança, em janeiro de 1923, quando a sociedade começou a conversar sobre defender os direitos, a saúde e a educação na infância. Gente historiadora associa a escolha específica do dia 12 de outubro como homenagem à data da chegada de Cristóvão Colombo à América, que ainda era chamada de “continente criança”, embora já fosse tão velho quanto o céu.
Pode até ser.
Mas sabemos que foi por poesia.
O dia da mãe ser no dia da “piazada”.
Porque é o amor a base estrutural de toda sociedade sã.
E se te conto tanto é pra te dizer novo: o Brasil vai continuar sendo um país onde toda fé é respeitada, todo amor é sagrado e os livros, coração escriba, os livros são mais importantes do que as armas.
Pode escrever.
Nota da mentora: A imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada em dois pedaços quebrados. Que milagre (ou maravilha) chegou na tua vida de um jeito quebrado, mas que te alumbrou mesmo assim? Escreve, escriba.
Santa Luzia
Thaiz Sabbagh
Em dias de chuva forte, panelas e bacias saíam do armário da cozinha e eram espalhados pelo chão. O teto da minha casa, na rua 3 da COHAB, chorava. Gotas espessas que faziam coro ao lamento de minha mãe. Eu, uma menina de cinco para seis anos, imaginava que eram lágrimas de Santa Luzia. Meu pai havia me dito que era pela portinha do ático que a santa passava com seu carneirinho para realizar seu doce milagre.
"Santa Luzia passou por aqui,
com seu carneirinho comendo capim."
Cantarolava a cantiga mesmo antes dela passar. Queria chamá-la, atraí-la com toda relva do mundo se pudesse em troca de muitas guloseimas. Debaixo da minha cama, além do meu tênis kichute de ir à escola, havia um punhado de mato sob uma tampa de lata de Nescau. Todo tipo de pergunta brotava em minha mente como o mato insistente que crescia no nosso quintal: Estaria Santa Luiza triste? Teria seu carneirinho apetite para meu capim? Quanto de capim um carneiro pode comer ao dia? O que deixaria meu capim mais delícia do que das outras crianças?
O clarão dos relâmpagos iluminava a imagem que tinha da santa. Ela estava na igrejinha do bairro, segurando um pratinho com dois olhos dentro. Morria de medo! Como poderia amar algo tão assustador?! Mais tarde entendi que amamos também o que tememos.
Tentava desfazer essa imagem na minha cabecinha, prestando atenção nas gotas caindo sob o alumínio das panelas e bacias. Blunft! Blaft! Tentava dormir, brincando de contar gotas. Perdia as contas.
Como se meu dedinho mindinho, em noites sem nuvens carregadas, contasse estrelas. Era hora de rezar, de sonhar e de voltar para o céu. Pequena, com uma imensidão pela frente. Ali, começava a entender que tudo poderia ser incontável, assim como gotas, estrelas, belezas, dores e amores.
A santa partida e a que carrega olhos dentro de um prato






